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Proteínas Plasmáticas

Albumina sérica
Referência: 3,5–5,0 g/dL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
< 3,5 g/dL Hipoalbuminemia Depleção proteica crônica, inflamação, perdas renais ou gastrointestinais. Sensibilidade limitada — albumina é reagente de fase aguda negativo: cai com inflamação mesmo sem desnutrição.
< 3,0 g/dL Hipoalbuminemia moderada Risco aumentado de complicações clínicas, maior tempo de internação e mortalidade.
< 2,5 g/dL Hipoalbuminemia grave Comprometimento grave — associado a edema, má cicatrização e comprometimento imunológico.
Pré-albumina (transtirretina)
Referência: 18–38 mg/dL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
10–17 mg/dL Depleção leve Marcador mais sensível que albumina para mudanças nutricionais recentes (meia-vida 2–3 dias).
5–9 mg/dL Depleção moderada Indica comprometimento nutricional em curso. Cai rapidamente com inflamação aguda (reagente de fase aguda negativo).
< 5 mg/dL Depleção grave Desnutrição grave ou inflamação sistêmica intensa. Interpretar sempre com PCR.
Proteína C-Reativa (PCR)
Referência: < 0,5 mg/dL (ou < 5 mg/L)
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
0,5–3 mg/dL Inflamação leve-moderada Interfere na interpretação da albumina e pré-albumina — quedas dessas proteínas podem refletir inflamação, não desnutrição isolada.
> 3 mg/dL Inflamação intensa Fase aguda: albumina e pré-albumina não são confiáveis como marcadores nutricionais isolados neste contexto.
Aviso clínico: Valores de referência podem variar entre laboratórios. Interpretar sempre no contexto clínico completo do paciente.

Hematológicos

Hemoglobina
Referência: H: 13,5–17,5 g/dL · M: 12,0–15,5 g/dL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
H < 13,5 / M < 12,0 g/dL Anemia Investigar: deficiência de ferro, B12 ou folato; anemia da doença crônica; sangramento. Impacta capacidade funcional e cicatrização.
< 10 g/dL Anemia moderada-grave Comprometimento significativo. Avaliar suporte nutricional específico conforme etiologia.
Ferritina sérica
Referência: H: 30–300 ng/mL · M: 15–200 ng/mL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
< 30 ng/mL Deficiência de ferro Estoque de ferro depletado. Correlacionar com saturação de transferrina (< 20% confirma deficiência funcional).
> 300 ng/mL (com PCR elevada) Reagente de fase aguda positivo Ferritina elevada em contexto inflamatório não exclui deficiência de ferro. Sempre interpretar com PCR e saturação de transferrina.
Contagem de linfócitos totais (CLT)
Referência: 1.500–4.000 células/mm³
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
1.200–1.499 Depleção leve Sensibilidade limitada — influenciada por múltiplos fatores. Usar apenas como dado complementar.
800–1.199 Depleção moderada Associada a risco nutricional aumentado em contexto clínico adequado.
< 800 Depleção grave Imunossupressão importante. Não usar isoladamente para diagnóstico de desnutrição.
Aviso clínico: Valores de referência podem variar entre laboratórios. Interpretar sempre no contexto clínico completo do paciente.

Eletrólitos e Minerais

Potássio (K⁺)
Referência: 3,5–5,0 mEq/L
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
< 3,5 mEq/L Hipocalemia Em TNE: risco de síndrome de realimentação. Monitorar rigorosamente nas primeiras 72h de reintrodução alimentar em desnutridos graves.
< 3,0 mEq/L Hipocalemia grave Risco de arritmia. Corrigir antes de avançar suporte nutricional.
Fósforo (P)
Referência: 2,5–4,5 mg/dL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
< 2,5 mg/dL Hipofosfatemia Sinal de alerta para síndrome de realimentação. Também ocorre em desnutrição grave, alcoolismo e uso de quelantes.
< 1,5 mg/dL Hipofosfatemia grave Emergência clínica — risco de falência respiratória, arritmia e rabdomiólise. Reposição IV e redução da oferta calórica.
Magnésio (Mg²⁺)
Referência: 1,7–2,2 mg/dL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
< 1,7 mg/dL Hipomagnesemia Comum em desnutrição, alcoolismo e uso prolongado de IBP ou diuréticos. Potencializa hipocalemia refratária.
Zinco sérico
Referência: 70–120 µg/dL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
< 70 µg/dL Deficiência de zinco Prejudica cicatrização, imunidade e síntese proteica. Frequente em doenças inflamatórias intestinais, cirrose e desnutrição.
Aviso clínico: Valores de referência podem variar entre laboratórios. Interpretar sempre no contexto clínico completo do paciente.

Função Renal

Creatinina sérica
Referência: H: 0,7–1,2 mg/dL · M: 0,5–1,0 mg/dL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
Elevada + perda muscular Interpretação cautelosa Em pacientes com sarcopenia ou caquexia, a creatinina pode estar falsamente normal ou baixa apesar de DRC. Calcular TFGe com fórmula CKD-EPI.
Baixa (< 0,6 mg/dL) Redução de massa muscular Creatinina baixa pode indicar depleção muscular grave — não interpretar como função renal normal sem contexto clínico.
Ureia sérica
Referência: 10–50 mg/dL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
Elevada + aumento proteico Monitorar Em pacientes renais com alta oferta proteica — ajustar conforme tolerância. Ureia elevada isolada não é contraindicação absoluta para proteína.
Baixa (< 10 mg/dL) Ingestão proteica insuficiente ou hepatopatia Avaliar ingestão proteica e função hepática.
Aviso clínico: Valores de referência podem variar entre laboratórios. Interpretar sempre no contexto clínico completo do paciente.

Função Hepática

Bilirrubina total
Referência: 0,3–1,2 mg/dL
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
> 1,2 mg/dL Hiperbilirrubinemia Avaliar colestase vs. hepatocelular. Em TNP prolongada, colestase associada à nutrição parenteral é complicação relevante.
TGO (AST) e TGP (ALT)
Referência: TGO: 10–40 U/L · TGP: 7–56 U/L
ValorInterpretaçãoContexto nutricional
Elevadas > 3× o limite superior Dano hepatocelular Em TNP: considerar redução de lipídios IV, especialmente SO (óleo de soja puro). Trocar por emulsão com óleo de peixe se disponível.
Elevação persistente em TNP Hepatotoxicidade associada à NP Avaliar causas: excesso calórico, excesso de glicose, deficiência de colina. Considerar transição para TNE se viável.
Aviso clínico: Valores de referência podem variar entre laboratórios. Interpretar sempre no contexto clínico completo do paciente.
  1. Bharadwaj S et al. Malnutrition: laboratory markers vs nutritional assessment. Gastroenterol Rep. 2016;4(4):272-280. DOI: 10.1093/gastro/gow013
  2. Castro MG et al. Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente Grave. BRASPEN J. 2023;38(Supl 2). DOI: 10.37111/braspenj.diretrizDOENTEGRAVE
  3. ESPEN. Clinical Nutrition guidelines. Disponível em: espen.org/guidelines