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📋 Guia Prático de Cálculo de NPT
Comunicado Institucional — Prescrição de Nutrição Parenteral Regulamentação

Em conformidade com a legislação vigente e as diretrizes da BRASPEN 2023 e da RDC ANVISA n.º 503/2021, esclarecemos formalmente quais profissionais de saúde possuem habilitação legal para a prescrição de nutrição parenteral no Brasil.

Médico

Competência primária e irrestrita para indicar, formular, monitorar e suspender a terapia nutricional parenteral, conforme o Código de Ética Médica e as resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Nutricionista

Competência legalmente reconhecida para prescrição de nutrição parenteral no âmbito hospitalar, desde que atuando dentro de uma Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN), conforme a Lei n.º 8.234/1991, a Resolução CFN n.º 390/2006 e a RDC ANVISA n.º 503/2021.

Obrigatoriedade da EMTN — RDC ANVISA n.º 503/2021 A terapia nutricional parenteral deve ser conduzida, obrigatoriamente, no âmbito de uma Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN), composta minimamente por: Médico (indicação clínica e prescrição médica), Nutricionista (prescrição dietética e monitoramento nutricional), Farmacêutico (manipulação, estabilidade e dispensação da bolsa de NP) e Enfermeiro (administração, controle de acesso venoso central e monitoramento do paciente).
Atenção — Ato de Responsabilidade Compartilhada A prescrição de nutrição parenteral não constitui um ato uniprofissional isolado. A segurança e a eficácia da terapia nutricional parenteral dependem da atuação integrada da EMTN, com responsabilidades técnicas claramente delimitadas para cada membro da equipe. A ausência de qualquer um dos profissionais previstos na legislação configura irregularidade no serviço de terapia nutricional. (BRASPEN 2023; ESPEN 2023; RDC ANVISA n.º 503/2021)
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NPT vs NPP - Comparativo

Conceitov

A nutrição parenteral (NP) e a administração de nutrientes diretamente na corrente sanguínea por via intravenosa, indicada quando o trato gastrointestinal não está funcionante ou e insuficiente. Existem duas modalidades principais com indicações, vias e composições distintas.

NPT - Nutrição Parenteral Total

ViaAcesso venoso central obrigatório
DuraçãoSem limite de tempo
OsmolaridadeSem limite - alta osmolaridade permitida
Aporte100% das necessidades por via IV
IndicaçãoTGI não funcionante, falência intestinal
ConcentraçãoGlicose até 70%, AA até 15%

NPP - Nutrição Parenteral Periferica

ViaVeia periferica de membro superior
DuraçãoAte 14 dias - risco de flebite
OsmolaridadeMenor que 900 mOsm/L obrigatoriamente
AporteComplementar a TNE ou dieta oral
IndicaçãoComplemento nutricional de curto prazo
ConcentraçãoGlicose até 12,5%, AA até 5%
Principio básico - TNE sempre que possível
A nutrição parenteral só deve ser iniciada quando a terapia nutricional enteral for contraindicada, não tolerada ou insuficiente para atingir as metas nutricionais. O intestino em uso e sempre preferível para manutenção da barreira intestinal e redução de complicações infecciosas. (BRASPEN 2023; ASPEN 2022)
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Indicações e Quando Iniciar

Fundamentalv

A indicação de nutrição parenteral deve ser precisa e baseada na impossibilidade real de uso do trato gastrointestinal. O timing de início é tão importante quanto a indicação — iniciar precocemente sem indicação gera complicações; iniciar tardio gera déficit nutricional.

Indicações da TNP

  • TGI não funcionante por qualquer causa
  • Obstrução intestinal mecânica sem resolução prevista
  • Íleo paralítico prolongado (mais de 7 dias)
  • Fístula enterocutânea de alto débito sem possibilidade de sonda distal
  • Síndrome do intestino curto grave
  • Pancreatite aguda grave com intolerância enteral
  • Pós-operatório com anastomoses de alto risco (avaliação individual)
  • Falência intestinal crônica (TNP domiciliar)

Contraindicações da TNP

  • TGI funcionante - TNE sempre preferível
  • Instabilidade hemodinâmica grave não controlada
  • Choque séptico em fase inicial
  • Distúrbios metabólicos graves não corrigidos
  • Hiperglicemia não controlada (acima de 300 mg/dL)
  • Hipertrigliceridemia grave (acima de 400 mg/dL) para lipideos
  • Expectativa de vida muito curta
Quando iniciar a TNP - recomendação BRASPEN 2023
Paciente bem nutrido: iniciar TNP após 7-10 dias se TNE/oral menor que 60% das metas
Paciente desnutrido ou em risco nutricional elevado: iniciar precocemente (3-5 dias)
Paciente critico sem acesso enteral possível: iniciar em 24-48h se TGI não funcionante
Fonte: BRASPEN 2023; ASPEN Critical Care Guidelines 2022; ESPEN 2023
TNP precoce sem indicação - mais nociva que benefica
Estudos multicentricos (EPaNIC, SPN) demonstraram que a iniciação precoce de TNP em pacientes que poderiam receber TNE aumentou complicações infecciosas, tempo de UTI e mortalidade. A TNP complementar só demonstrou beneficio quando a TNE e insuficiente por mais de 7 dias em pacientes bem nutridos. (Casaer MP et al., NEJM 2011; Heidegger CP et al., Lancet 2012)
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Vias de Acesso para Nutrição Parenteral

Acessov

A escolha da via depende da osmolaridade da solução, duração prevista e condição clínica do paciente. Soluções com osmolaridade acima de 900 mOsm/L só podem ser administradas por acesso central, pois causam lesao endotelial e flebite em veias perifericas.

Via de AcessoLocalizaçãoIndicaçãoVantagensComplicações
Subclavea Veia subclavea (infra ou supraclavicular) NPT de longa duração, UTI Conforto, fixação segura, baixo risco de infecção Pneumotorax, hemotorax (inserção), trombose
Jugular Interna Veia jugular interna (regiao cervical) NPT, urgência, acesso rápido Acesso facil, guiado por ultrassom Desconforto, maior risco de infecção, dificulta mobilização
PICC Veia cubital ou basilica do braco, ponta em VCS NPT prolongada, domiciliar Inserção a beira leito, menor risco de pneumotorax, longa duração Trombose venosa, maior risco de infecção que subclavea
Femoral Veia femoral (regiao inguinal) Urgência quando outros acessos indisponíveis Acesso rápido em emergência Alto risco de infecção, trombose, limita deambulação
Periferica (NPP) Veia periferica do antebraco ou dorso da mao NPP de curto prazo (até 14 dias) Sem risco de pneumotorax, inserção simples Flebite quimica, infiltração, duração limitada
Confirmação radiologica obrigatória antes de iniciar NPT central
A posição da ponta do cateter central DEVE ser confirmada por radiografia de tórax antes do início da infusão de NPT. A ponta deve estar na junção da veia cava superior com o atrio direito. Cateter mal posicionado pode causar arritmias, trombose e infusão extravasculo. (BRASPEN Enfermagem 2021)
Via femoral - evitar para NPT quando possível
A veia femoral apresenta maior taxa de infecção e trombose venosa profunda em comparação as vias subclavea e jugular. Deve ser reservada para situações de urgência em que outros acessos são indisponíveis. (BRASPEN 2023; CDC Guidelines)
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Composição da Bolsa de NPT

Prescriçãov

A bolsa de NPT e uma solução esteril preparada em farmacia hospitalar (manipulação em cabine de fluxo laminar) contendo macronutrientes, eletrólitos e micronutrientes. A prescrição deve ser individualizada e revisada diariamente conforme laboratório e evolução clínica.

ComponenteFonte HabitualMeta por diaObservação
Aminoacidos (proteína)Solução de AA 10%1,2-2,0 g/kg/dia
4 kcal/g
Calcular primeiro. Obeso: usar peso ideal.
Glicose (carboidrato)Glicose 50%3-5 g/kg/dia
4 kcal/g · TIG max 5 mg/kg/min
Representa 45-60% do VET. Limite: 7 g/kg/dia.
LipideosEmulsão lipídica 20%1-2 g/kg/dia
9 kcal/g · max 0,1 g/kg/h
20-35% do VET. Suspender se TG acima de 400 mg/dL.
SodioNaCl 20%1-2 mEq/kg/diaDescontar Na+ carreado pelo fosfato de sódio.
PotassioKCl 19,1%1-2 mEq/kg/diaDescontar K+ carreado pelo fosfato de potássio.
FosforoFosfato de K+ ou glicerofosfato de Na+20-40 mmol/diaCalcular primeiro. Prioridade na síndrome de realimentação.
CalcioGluconato de cálcio 10%10-15 mEq/diaNão misturar diretamente com fosfato - risco de precipitação.
MagnesioSulfato de magnésio 50%8-20 mEq/diaMonitorar em IRA e síndrome de realimentação.
MultivitaminicoAmpola padrao institucional1 ampola/diaVerificar composição e dose de tiamina.
OligoelementosAmpola padrao institucional1 ampola/diaZinco aumentado em queimados e diarreia grave.
Guia completo de calculo de NPT
Para o passo a passo detalhado do calculo da bolsa de NPT, incluindo formulas de osmolaridade (F1 e F2) e definição de via central vs periferica, acesse o guia específico.
Acessar Guia Completo de Calculo de NPT
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Monitoramento do Paciente em TNP

Rotinav

O monitoramento da TNP e mais intenso que o da TNE por conta das complicações metabólicas frequentes e do risco infeccioso do acesso central. A avaliação diária do laboratório e obrigatória nas primeiras 48-72 horas.

Hiperglicemia na NPT — principal causa de complicações
Meta glicêmica em pacientes criticos em NPT: 140–180 mg/dL. Glicemia acima de 180 mg/dL exige ajuste imediato da taxa de glicose (TIG) e insulinoterapia. Nunca ultrapassar TIG de 7 mg/kg/min. Glicemia acima de 220 mg/dL está associada a aumento de mortalidade, infecções e tempo de internação. (BRASPEN 2023; ESPEN 2023)
Síndrome de Realimentação — risco critico nas primeiras 72h
Em pacientes desnutridos, com jejum prolongado (mais de 5 dias) ou IMC abaixo de 18,5 kg/m², monitorar fósforo, potássio e magnésio diariamente nas primeiras 72h. Quedas bruscas desses eletrólitos indicam síndrome de realimentação — reduzir aporte calórico e repor eletrólitos agressivamente. Prescrever tiamina IV antes de iniciar. (BRASPEN 2023; ESPEN 2023)

Monitoramento Diario

  • Glicemia capilar a cada 4-6h nas primeiras 48h
  • Eletrolitos: sódio, potássio, fósforo, magnésio, cálcio
  • Balanco hídrico rigoroso
  • Peso corporal diário
  • Sinais vitais e temperatura
  • Inspeção do sitio de inserção do cateter
  • Volume infundido vs. prescrito
  • Sinais de intolerância: edema, hiperglicemia, febre
  • Ureia e creatinina nas primeiras 48h

Monitoramento Semanal

  • Triglicerideos (antes da infusão lipídica)
  • Função hepática: TGO, TGP, FA, GGT, bilirrubinas
  • Hemograma completo
  • Albumina e pre-albumina
  • Revisão das metas calórico-proteicas
  • Avaliação de indicação continuada da TNP
  • Possibilidade de iniciar ou progredir TNE
  • Revisão dos componentes da bolsa
Metas de controle glicêmico durante TNP
Meta glicêmica: 140-180 mg/dL (paciente critico)
Monitorar a cada 4-6 horas nas primeiras 48h, depois a cada 6h se estável
Hiperglicemia acima de 180 mg/dL: reduzir infusão de glicose e/ou iniciar insulina
Fonte: BRASPEN 2023; ASPEN 2022; Medway - Complicações da Nutrição Parenteral, 2022
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Complicações Mecanicas

Cateterv

As complicações mecanicas estão relacionadas ao processo de inserção e manutenção do cateter venoso central. A maioria ocorre no momento da inserção ou nas primeiras horas após o procedimento.

Nunca iniciar NPT sem confirmar posicionamento do cateter
O posicionamento da ponta do cateter venoso central DEVE ser confirmado por radiografia de tórax antes do início da NPT. A infusão inadvertida em posição incorreta (ex: artéria subclavia, pleura) pode causar complicações graves e fatais. Confirmar também a permeabilidade e ausência de resistência ao fluxo. (BRASPEN 2023; ESPEN 2023)
Trombose venosa relacionada ao cateter — prevenção ativa
Trocar o equipo de NPT a cada 24h. Não interromper e retomar a infusão repetidamente — aumenta o risco de precipitação e trombose. Lavar o cateter com soro fisiológico antes e após medicamentos. Inspecionar diariamente o sitio de inserção quanto a sinais de flebite, edema e eritema. (RDC ANVISA 503/2021; BRASPEN 2023)
PneumotoraxInserção
Penetração inadvertida da pleura durante inserção de cateter subclaveo ou jugular. Pode ser assintomatico (pequeno) ou causar dispneia aguda e queda de saturação.
Conduta: confirmar com radiografia de tórax imediatamente após inserção. Pneumotorax pequeno: observação. Pneumotorax maior: drenagem pleural. Prevenção: uso de ultrassom para guiar inserção.
Hemotorax e Hematoma LocalInserção
Lesao vascular durante a inserção, com acumulo de sangue na cavidade pleural ou formação de hematoma no sitio de inserção.
Conduta: compressão local para hematoma. Hemotorax: drenagem pleural conforme volume. Avaliar coagulopatia previa antes da inserção.
Malposicionamento do CateterInserção
Posicionamento incorreto da ponta do cateter - veia jugular, veia azigos, atrio direito ou ventriculo. Pode causar arritmias e infusão inadequada.
Conduta: radiografia de tórax obrigatória antes de iniciar NPT. Reposicionamento ou troca do cateter se mal posicionado. NUNCA iniciar NPT sem confirmação radiologica.
Obstrução do CateterManutenção
Oclusão do lume por trombo, precipitado de cálcio-fosfato ou dobradura do cateter.
Conduta: tentar desobstrução com soro fisiológico (pressão e sucção). Se trombo: considerar alteplase (tPA) 2 mg/2 mL conforme protocolo. Não usar forca excessiva - risco de ruptura.
Trombose VenosaManutenção
Formação de trombo ao redor do cateter ou na veia de inserção. Mais frequente com PICC e via femoral.
Conduta: confirmar com doppler venoso. Anticoagulação conforme indicação médica. Avaliação de necessidade de remoção do cateter. Prevenção: uso de heparina no lume conforme protocolo institucional.
Flebite Quimica (NPP)Periferica
Inflamação da veia periferica causada pela osmolaridade elevada da solução. Principal limitação da NPP.
Conduta: suspender infusão imediatamente. Trocar sitio de inserção. Aplicar compressas mornas. Considerar troca para acesso central se NPP necessária por mais de 14 dias ou se osmolaridade acima de 900 mOsm/L.
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Complicações Infecciosas

Infecçãov

As complicações infecciosas são as mais temidas da TNP. A infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateter (ICSRC) e a principal, com mortalidade significativa. Os germes mais frequentes são estafilococos coagulase-negativos, S. aureus, enterococos e Candida sp. (Medway, 2022; Scielo, 2009)

Infecção de Corrente Sanguinea Relacionada ao Cateter (ICSRC)Grave
Bacteremia ou fungemia com hemocultura positiva em paciente com cateter central, sem outro foco infeccioso identificado. Pode causar endocardite infecciosa, tromboflebite séptica e infecção metastatica.
Diagnostico: hemoculturas pareadas (cateter + veia periferica). Diferencial de tempo de positividade maior que 2h e sugestivo de ICSRC.
Conduta: avaliar remoção do cateter (obrigatório em Candida, S. aureus e instabilidade clínica). Antibioticoterapia empirica e ajustada por antibiograma.
Sinais de alerta para ICSRC - acionar equipe imediatamente
Febre acima de 38,3 graus C ou hipotermia abaixo de 36 graus C sem outro foco evidente em paciente com cateter central em uso de NPT deve ser investigada como ICSRC até prova em contrario. Colher hemoculturas e acionar médico. Não suspender NPT sem avaliação médica.
Prevenção de ICSRC - bundle do cateter
As medidas mais eficazes são: higiene das maos rigorosa, barreira máxima durante inserção (campo esteril, gorro, mascaras, avental e luvas estereis), antissepsia com clorexidina alcoólica, escolha do sitio ideal (preferência subclavea), revisão diária da necessidade do cateter e remoção precoce quando não mais necessário. (CDC HICPAC Guidelines; ANVISA 2017)
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Complicações Metabolicas

Metabolismov

As complicações metabólicas são as mais frequentes da TNP e, em sua maioria, preveníveis com prescrição adequada e monitoramento rigoroso. A hiperglicemia e a mais comum, seguida pela hipertrigliceridemia e as alterações hepaticas.

Hipertrigliceridemia — suspender lipidios acima de 400 mg/dL
Monitorar triglicerídeos antes e durante a infusão de emulsão lipídica. Suspender ou reduzir a emulsão lipídica se triglicerídeos acima de 400 mg/dL. Infundir sempre em 12–24h (nunca em bolus). Evitar emulsoes baseadas exclusivamente em óleo de soja — preferir emulsoes de quarta geração (óleo de peixe, oliveira). (BRASPEN 2023; ESPEN 2023)
Colestase e disfunção hepática associada a NPT (IFALD)
A NPT prolongada (mais de 2 semanas) pode causar colestase e esteatose hepática. Prevenção: ciclicidade da NPT (infundir em 12–18h/dia, com pausa), iniciar TNE mesmo que parcial o mais precoce possível, evitar superalimentação e excesso de glicose e lipidios. Monitorar TGO, TGP, FA e GGT semanalmente. (BRASPEN 2023; ESPEN 2023)
HiperglicemiaMuito frequente
A complicação metabólica mais comum da NPT. Relacionada ao alto teor de glicose da solução e ao estado inflamatório do paciente critico. Predispoe a infecções, polineuropatias e disfunção de multiplos orgaos. (Medway, 2022)
Conduta: meta glicêmica 140-180 mg/dL. Reduzir oferta de glicose (TIG abaixo de 5 mg/kg/min). Adicionar insulina regular na bolsa de NPT ou em infusão continua separada. Monitorar a cada 4-6h nas primeiras 48h.
HipertrigliceridemiaModerada
Elevação dos triglicerídeos sericos acima de 400 mg/dL durante a infusão de emulsão lipídica. Pode causar pancreatite aguda em casos graves.
Conduta: dosar triglicerídeos antes de iniciar emulsão lipídica e semanalmente. Suspender lipideos se TG acima de 400 mg/dL. Reduzir velocidade de infusão. Preferir emulsoes de quarta geração (óleo de peixe + oliva + soja) que apresentam menor impacto nos TG.
Colestase e Disfunção HepaticaUso prolongado
O figado gorduroso e a complicação hepática mais comum da NPT. Colestase intra-hepática e hepatite ocorrem com uso prolongado. A disfunção hepática ocorreu em 36,36% dos pacientes em NPT domiciliar em estudo brasileiro. (Tallarico RT et al., BRASPEN Journal 2019)
Conduta: monitorar função hepática semanalmente. Iniciar TNE mesmo que mínima (trofismo intestinal). Evitar sobrecarga calórica. Preferir emulsoes lipidicas com óleo de peixe (Omegaven, SMOF). Ciclizar a NPT (infundir em 12-16h) se possível. Reduzir lipideos se transaminases acima de 3x o limite superior normal.
Síndrome de RealimentaçãoPotencialmente fatal
Ocorre nas primeiras 72h após início da NPT em pacientes desnutridos graves ou após jejum prolongado. Caracterizada por hipofosfatemia grave, hipocalemia, hipomagnesemia e encefalopatia de Wernicke. Pode causar disfunção hemodinâmica, neurologica e respiratória graves. Incide em até um terco dos pacientes de risco. (BRASPEN Journal 2019)
Fatores de risco: IMC menor que 18,5, perda de peso maior que 10% em 6 meses, jejum por 5 ou mais dias, alcoolismo, anorexia nervosa, quimioterapia previa.
Conduta: prescrever tiamina IV 100-300 mg antes de iniciar NPT. Iniciar com 50% da meta calórica. Progredir lentamente em 5-7 dias. Monitorar fósforo, potássio e magnésio diariamente. Repor eletrólitos agressivamente quando necessário.
Distúrbios EletroliticosFrequentes
Hiponatremia, hipernatremia, hipocalemia, hipomagnesemia e hipofosfatemia são comuns durante a TNP por perda renal aumentada, redistribuição intracelular ou oferta inadequada.
Conduta: monitorar eletrólitos diariamente nas primeiras 48-72h. Ajustar a composição da bolsa conforme resultado laboratorial. Repor eletrolictos via IV ou na própria bolsa conforme protocolo.
Sobrecarga HidricaFrequente em criticos
Acumulo excessivo de fluidos com edema, anasarca e piora da função respiratória. Frequente em pacientes com hipoalbuminemia grave e ICC.
Conduta: monitorar balanco hídrico diariamente. Meta: balanco zero ou negativo em pacientes criticos. Usar formulas hipercaloricas de maior densidade para reduzir volume total. Considerar diureticos conforme prescrição médica.
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Desmame da TNP e Transição para TNE ou Via Oral

Transiçãov

A transição da TNP para TNE ou via oral deve ser gradual e criteriosamente monitorada. O objetivo e garantir adequação nutricional durante todo o processo de transição, sem déficit calórico-proteico.

Criterio para iniciar transiçãoConduta
TGI voltando a funcionar (ruidositos, flatos, evacuação)Iniciar TNE em volumes mínimos (trofismo intestinal)
TNE atingindo 25-50% das metasReduzir TNP em 25-50% proporcionalmente
TNE atingindo 60-75% das metasReduzir TNP para 25-30% ou suspender
TNE ou oral atingindo 80% ou mais das metasSuspender TNP completamente
Intolerância a TNE após tentativaManter TNP e reavaliar TGI em 24-48h
Regra geral - nunca suspender abruptamente
Nunca suspender a TNP sem garantir que outra via esta suprindo pelo menos 60% das metas
Reduzir progressivamente em 25% a cada 24-48h conforme progressão da TNE/oral
Fonte: BRASPEN 2023; ASPEN Critical Care Guidelines 2022
Hipoglicemia de rebote - atenção ao suspender NPT
A suspensão abrupta da NPT pode causar hipoglicemia de rebote por hiperinsulinismo reativo, especialmente em pacientes que receberam altas doses de insulina durante a terapia. Reduzir gradualmente a velocidade de infusão nas ultimas 1-2h antes da suspensão ou substituir por glicose 10% antes de suspender definitivamente.

Referências Bibliográficas

  • BRASPEN. Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente Critico Adulto. BRASPEN Journal, 2023.
  • ASPEN. Critical Care Nutrition Guidelines. Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, 2022.
  • Singer P et al. ESPEN guideline on clinical nutrition in the intensive care unit. Clinical Nutrition, 2023. DOI: 10.1016/j.clnu.2023.01.011
  • Casaer MP et al. Early versus Late Parenteral Nutrition in Critically Ill Adults. NEJM. 2011;365(6):506-517. DOI: 10.1056/NEJMoa1102662
  • Heidegger CP et al. Optimisation of energy provision with supplemental parenteral nutrition in critically ill patients (SPN). Lancet. 2013;381(9864):385-393. DOI: 10.1016/S0140-6736(12)61351-8
  • Tallarico RT et al. Terapia nutricional parenteral domiciliar: perfil epidemiologico e prevalência das principais complicações. BRASPEN Journal, v.34, n.4, p.408-413, 2019. DOI: 10.37111/braspenj.2019344017
  • Medway. Complicações da nutrição parenteral: saiba mais! Disponível em: medway.com.br, 2022.
  • Beghetto MG et al. Nutrição parenteral em pacientes com cateter venoso central: frequência de infecção. SciELO Brazil, 2009.
  • BRASPEN. Diretriz BRASPEN de Enfermagem em Terapia Nutricional Oral, Enteral e Parenteral. BRASPEN Journal, v.36, n.3, 2021.
  • ANVISA. Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada a Assistência a Saude. Brasilia: ANVISA, 2017.
  • CDC HICPAC. Guidelines for the Prevention of Intravascular Catheter-Related Infections. Atlanta: CDC, 2011.
Aviso clínico: Este conteudo tem fins exclusivamente educativos. As condutas descritas devem ser adaptadas ao contexto clínico individual por equipe multiprofissional habilitada (médico, nutricionista e farmacêutico). Evelin Beatriz Ribeiro Greco - Nutrição Clínica Hospitalar.
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